08/28/2025
06:19:59 AM
Imagem de Israel segue forte entre evangélicos
brasileiros, diz pesquisa
A imagem de Israel segue em alta entre o público evangélico
brasileiro. Uma pesquisa da Genial/Quaest, divulgada esta semana, mostra que
52% dos fiéis têm uma opinião favorável ao país, enquanto 36% manifestam uma
visão negativa. Por outro lado, entre a população brasileira de uma forma
geral, a imagem de Israel tem se desgastado, principalmente após os relatos de
violações ao direito internacional no território palestino.
A pesquisa apontou que 50% dos entrevistados têm opinião
desfavorável em relação ao país comandado pelo primeiro-ministro Benjamin
Netanyahu. Para efeito de comparação, o percentual de brasileiros com
visão negativa do país, em outubro de 2023, quando Israel foi alvo dos ataques
terroristas do grupo extremista Hamas, era de apenas 27%. Já a percepção
positiva caiu de 52% para 35% no mesmo período.
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Outro detalhe apontado pela pesquisa é que a visão positiva
de Israel entre os evangélicos favorece os Estados Unidos, aliado de Tel Aviv.
Segundo o levantamento, 56% desse público têm uma opinião favorável ao país
comandado por Donald Trump e 36%, desfavorável. Por outro lado, 64% dos fiéis
têm uma percepção negativa da Rússia, contra 41% positiva. Com relação à China,
a imagem também é desfavorável, em sua maioria: 46% contra 40%.
Ao todo, foram entrevistadas durante a pesquisa 12.150
pessoas com 16 anos ou mais, entre os dias 13 e 17 de agosto, em oito estado do
país, que compõem 66% do eleitorado nacional. A margem de erro do levantamento
é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é
de 95%.
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Para o doutor em ciências políticas, mestre e bacharel em
relações internacionais, Igor Sabino, especialista em conflito
israelo-palestino, o apoio de evangélicos brasileiros a Israel se dá por uma
série de razões, tanto políticas quanto teológicas.
“Do ponto de vista político, a gente vê um alinhamento maior
dos evangélicos também a países como Estados Unidos, que é um país aliado de
Israel. E também há uma percepção desfavorável em relação a países onde a gente
tem relatos de perseguição aos cristãos, como é o caso da China e Rússia. Então
isso se dá pelo fato de que a população evangélica brasileira é, em sua
maioria, conservadora de direita”, pontua.
Sabino, que também é escritor, autor do livro “Jesus, um judeu”, afirma que também existe
um elemento religioso por trás dessa visão, que é o fato de que Israel é visto
como tendo um significado, na teologia bíblica, em relação principalmente ao
fim dos tempos.
“Há essa ideia de que o Israel de hoje é exatamente igual ao
Israel da Bíblia. Em certo sentido, de fato, o povo judeu, que hoje é a maioria
do Estado de Israel, têm sim ligações com Israel da Bíblia, mas Israel é um
Estado democrático, é um Estado secular. Muitas pessoas sequer são religiosas.
Não é aquele país regido de acordo com a Lei de Moisés, que era uma teocracia
como a gente vê na Bíblia hebraica no Antigo Testamento dos cristãos”,
ressalta.
“Então acredito que soma-se essa predisposição teológica de
olhar para Israel com bons olhos por conta da Bíblia, de ser o lugar em que
Jesus veio e ter essa expectativa também em relação ao fim dos tempos. É o
cumprimento profético que Israel tem”, completa.
Relações estremecidas entre Brasil e Israel
As relações entre Brasil e Israel têm se estremecido desde
fevereiro de 2024, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparou as
ações de Israel na Faixa de Gaza com o Holocausto de judeus durante a Segunda
Guerra Mundial. A comparação foi mal recebida pelo governo Netanyahu. Como
resposta, o presidente brasileiro foi declarado “persona non grata” em Israel.
Além disso, o então chanceler israelense, Israel Katz,
levou, na época, o então embaixador brasileiro em Tel Aviv Frederico Meyer ao
Museu do Holocausto. O fato foi visto pelo governo brasileiro como uma
tentativa de humilhação e constrangimento do diplomata.
Lula então decidiu retirar o embaixador do Brasil em Tel
Aviv, em maio de 2024, dando assim menos peso na relação diplomática entre os
dois países. Dessa forma, a embaixada brasileira em Israel ficou sob o comando
de um encarregado de negócios, o que, em linguagem diplomática, demonstra
insatisfação do Brasil em relação ao governo de Benjamin Netanyahu.
O episódio de atrito mais recente entre os dois países
aconteceu nesta segunda-feira (25), quando o Ministério das Relações Exteriores
de Israel anunciou que vai “rebaixar” as relações com o Brasil após o
Ministério das Relações Exteriores brasileiro ter ignorado a indicação de um
novo embaixador israelense em Brasília.
Até então embaixador de Israel no Brasil, Daniel Zonshine
deixou o posto há cerca de duas semanas. Para o lugar dele, o governo de
Netanyahu havia indicado o diplomata Gali Dagan, ex-embaixador de Israel na
Colômbia, em janeiro deste ano.
Para exercer a atividade, no entanto, é necessária a
concessão de uma autorização do país que o recebe, chamada de “agrément”.
Apesar de formalmente não ter se recusado a conceder o agrément, o governo
brasileiro deixou o pedido em análise, sem respondê-lo, o que é visto, no meio
das relações internacionais, como uma recusa.
Segundo nota da chancelaria israelense, divulgada pelo
jornal The Times of Israel, Tel Aviv então decidiu retirar o pedido de agrément
do embaixador Gali Dagan. “Após o Brasil, excepcionalmente, se abster de
responder ao pedido de agrément do embaixador Dagan, Israel retirou o pedido, e
as relações entre os países agora são conduzidas em um nível diplomático
inferior”, disse o Ministério das Relações Exteriores de Israel. Até o momento,
o Itamaraty ainda não se manifestou sobre a decisão de Israel.
Nesta terça-feira (26), o ministro da Defesa de Israel,
Israel Katz, usou suas redes sociais para chamar o presidente Lula de
“antissemita apoiador do Hamas”. Além disso, associou o presidente brasileiro
ao Irã, país com o qual Israel vive em conflito.
Em julho deste ano, o Brasil oficializou a entrada na ação
judicial da África da Sul na Corte Internacional de Justiça (CIJ), que acusa
Israel de genocídio na Faixa de Gaza.
Fonte: COMUNHÃO
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