02/02/2026
06:07:13 AM
MP da Holanda admite que prisão de evangelista durante
culto foi injusta
O Ministério Público da Holanda decidiu arquivar o processo
criminal contra o evangelista Tom de Wal, reconhecendo que o culto
interrompido pela polícia no início do mês, na cidade de Tilburg, não
configurava um evento público, mas sim uma reunião religiosa protegida pela
liberdade de culto.
A decisão, divulgada nesta quinta-feira (29), encerra
oficialmente a ação criminal contra o líder da Frontrunners Ministries e
confirma que sua prisão foi indevida.
De acordo com o documento oficial, após análise em conjunto
com o Ministério Público, foi concluído que o culto “não pode ser classificado
como evento” nos termos do artigo 26 do regulamento municipal (APV). Com isso,
o caso foi arquivado e nenhuma multa foi aplicada ao evangelista.
Após a divulgação da decisão, Tom de Wal se manifestou em
suas redes sociais celebrando o arquivamento do processo e classificando a
prisão como injusta.
“Vitória! O Ministério Público concluiu que o culto em
Tilburg não foi um evento e que fui preso injustamente. Ou seja, tratava-se de
uma reunião religiosa, um culto no qual a polícia nunca deveria ter entrado nem
interrompido, muito menos me prender”, escreveu o evangelista em seu Instagram.
“Isso significa que o processo criminal contra mim foi
encerrado e que fui absolvido”.
“A verdade veio à tona”
Embora o processo criminal esteja encerrado, ainda segue em
andamento uma ação administrativa contra a prefeitura de Tilburg. No entanto, a
avaliação do próprio Ministério Público torna extremamente difícil para o
município sustentar que o encontro religioso deveria ser tratado como evento
público.
Com isso, o evangelista criticou a postura da administração
municipal. “Aliás, até hoje não ouvimos nada da prefeitura de Tilburg, nem
sequer recebemos a ordem por escrito que disseram que seria enviada na
segunda-feira após a prisão”, relatou.
Ao concluir, Tom de Wal declarou: “Seguimos em frente rumo à
vitória completa”.
Relembre o caso
Tom de Wal foi preso na sexta-feira, 9 de janeiro, após
policiais interromperem um culto que acontecia em uma igreja local, em Tilburg.
O evangelista promovia uma campanha de cura quando
agentes entraram no templo, encerraram a reunião e obrigaram os participantes a
deixarem o local, conforme noticiado pelo portal holandês AD.
A ação policial ocorreu por ordem do prefeito de Tilburg,
que alegava que o culto não possuía autorização para ocorrer como evento
público.
Tom foi escoltado para fora da igreja, enquanto os fiéis
continuaram louvando e orando do lado de fora. Pessoas que haviam viajado
de outras cidades em busca de oração receberam ministração na rua.
Segundo o evangelista Jean-Luc Trachsel, líder de um
ministério evangelístico com base na Suíça, a situação se agravou quando Tom
passou a orar pelos doentes na via pública.
“A polícia disse que isso não era permitido”, relatou. Em
seguida, o evangelista foi detido e passou algumas horas na cadeia antes de ser
liberado.
Protestos e cancelamento da campanha
Tom de Wal, de 35 anos, lidera a Frontrunners Ministries,
que havia planejado realizar três cultos da campanha “Semana do Avivamento” em
um hotel na cidade de Eindhoven. No entanto, ativistas LGBT protestaram contra
o evento, e o hotel cancelou a reserva.
Após o cancelamento, os cultos foram transferidos para uma
igreja em Tilburg. De acordo com Stephan van der Wouden, diretor de operações
da Frontrunners, os mesmos manifestantes de Eindhoven viajaram até Tilburg para
continuar os protestos.
As manifestações começaram após reportagens acusarem Tom de
Wal de promover “cura gay”. Stephan negou a acusação e afirmou que a cobertura
da mídia distorceu os fatos. “Essa imagem é imprecisa. Tom de Wal nunca fala
sobre esse assunto. Essa narrativa inflamou a situação desnecessariamente”,
disse em entrevista ao Revive.
Ele também afirmou que não houve comunicação clara por parte
da prefeitura e reforçou que a campanha era uma reunião religiosa, não um
evento público.
Especialistas apontaram violação da liberdade religiosa
A prisão do evangelista gerou forte repercussão nas redes
sociais e indignação entre cristãos na Holanda. Jean-Luc Trachsel classificou o
episódio como ilegal e alertou para o aumento da perseguição religiosa na
Europa.
A professora Sophie van Bijsterveld, especialista em
religião, direito e sociedade da Universidade Radboud de Nijmegen, afirmou que
a intervenção do governo foi equivocada.
“Um evento é definido como uma atividade de entretenimento
acessível ao público. É difícil sustentar que um culto se encaixe nisso.
Independentemente da opinião sobre Tom de Wal, tratava-se de uma expressão de
fé, protegida pela liberdade religiosa”, explicou em entrevista ao AD.
Fonte: GUIAME
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