02/03/2026
05:56:07 AM
Papa Leão XIV alerta contra o uso descontrolado de IA e
chatbots
Tiago Chagas6 dias atrás
O papa Leão XIV se somou a um grupo crescente de vozes que
alertam para os riscos do uso descontrolado da inteligência artificial, citando
impactos potenciais sobre privacidade, empregos e segurança.
Em mensagem divulgada no sábado, na Memória de São Francisco
de Sales, na Cidade do Vaticano, o pontífice afirmou que a tecnologia digital,
quando não é bem conduzida, pode “alterar radicalmente alguns dos pilares
fundamentais da civilização humana”. Ele disse ainda que, ao simular “vozes e
rostos humanos, sabedoria e conhecimento, consciência e responsabilidade,
empatia e amizade”, os sistemas de IA não apenas afetam os ecossistemas de
informação, como também “invadem o nível mais profundo da comunicação”,
atingindo o relacionamento entre as pessoas.
O alerta ocorre na véspera do 60º Dia Mundial das
Comunicações Sociais da Igreja Católica, marcado para 17 de maio. Embora
defenda que a IA pode trazer benefícios, Leão XIV pediu cooperação global para
reduzir riscos que, segundo ele, podem ser sutis e até “sedutores”.
Na avaliação do papa, quando a tecnologia passa a “pensar
por nós”, há o perigo de enfraquecimento das habilidades cognitivas, emocionais
e comunicativas a longo prazo.
Leão XIV também observou que, nos últimos anos, sistemas de
IA têm assumido cada vez mais a produção de textos, músicas e vídeos, e
advertiu que parte da indústria criativa humana pode ser substituída por
produtos “impulsionados por IA”, tornando as pessoas “consumidores passivos” de
conteúdos “anônimos” e “desprovidos de autoria e paixão”. Ele acrescentou que
obras humanas acabam reduzidas a material de treinamento para máquinas.
No campo das redes sociais, o pontífice afirmou que tem se
tornado mais difícil distinguir pessoas de “bots” e alertou que agentes
automatizados podem influenciar debates públicos e decisões individuais. Para
ele, chatbots baseados em grandes modelos linguísticos podem ser eficientes na
persuasão discreta ao otimizar interações personalizadas, usando uma estrutura
“dialógica, adaptativa e mimética” capaz de imitar sentimentos humanos e
simular relacionamento.
O papa avaliou que essa “antropomorfização” pode ser
enganosa, sobretudo para os mais vulneráveis, e citou o risco de chatbots
“excessivamente afetuosos” ocuparem a esfera de intimidade das pessoas.
Leão XIV também criticou a desinformação produzida a partir
de “aproximações da verdade” geradas por probabilidade estatística, defendendo
o valor do jornalismo verificado, com coleta e checagem contínuas de
informações. Ele ainda apontou preocupação com o poder concentrado de poucas
empresas sobre sistemas de IA e algoritmos, e disse que o desafio não é frear a
inovação, mas orientá-la com consciência de sua ambivalência.
“Cabe a cada um de nós levantar a voz em defesa dos seres
humanos”, escreveu, para que as ferramentas possam ser usadas como aliadas,
segundo o The
Christian Post.
A mensagem do papa foi divulgada dias depois de Yuval Noah
Harari voltar a afirmar que a inteligência
artificial não deve ser tratada como mera ferramenta, mas como
“agente” capaz de criar coisas novas e tomar decisões.
“Sempre pensamos que podemos usar essas coisas apenas como
ferramentas. Mas se elas podem pensar, são agentes”, disse, comparando a IA a
“uma faca que pode decidir sozinha” se será usada para uma tarefa comum ou para
cometer um crime.
Fonte: GOSPEL
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